segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A CARTOGRAFIA SOCIAL NO EJA

A cartografia oficial, feita para o Estado ou para a academia nos traz uma visão de mundo que parece ser universal e portanto, única. Ela cartografa apenas elementos naturais, sem considerar os agentes sociais presentes nesses espaços. Mas esse tipo de cartografia apresenta uma defasagem em relação à realidade; ela não dá conta da vida de comunidades que estão á margem do poder (povos indígenas, quilombolas, comunidades rurais e das periferias das cidades)  e segundo FONSECA (2013), também não consegue representar a malha relacional do nosso mundo globalizado.
A cartografia social vai além do simples mapeamento de espaços (Cf.SANTOS 2016), é um processo de construção coletiva (aproximando pesquisadores e agentes sociais). Ela mapeia espaços invisíveis para a sociedade e traz á tona problemas que vêm sendo negligenciados pelos grupos dominantes, que só ganham visibilidade a partir do seu mapeamento. A cartografia social não deve se limitar a meros critérios geográficos, seus mapas representam produtos de relações sociais (segundo Alfredo W.Berno).
 Além disso, a cartografia social pode trazer uma grande contribuição ao processo pedagógico, pois o conhecimento produzido pode ser problematizado em sala de aula. O processo de construção da cartografia social precisa do engajamento das ´pessoas da comunidade, que conhecem a sua realidade e que vão compartilhar as suas memórias (construindo uma memória coletiva), por isso, os discentes por fazerem parte da comunidade, podem exercer o seu protagonismo, ao mesmo tempo que compartilham do conhecimento das pessoas mais antigas do lugar, e se apropriam dos conhecimentos da metodologia de elaboração de mapas situacionais.
Assim, os estudantes assumem o papel de seres pensantes e reflexivos (sobre a sua própria realidade e sobre a realidade de seus grupos. A cartografia, que na sua versão oficial, chega como um produto para ser usado, e que trata de territórios dos grupos sociais dominantes, enquanto uma nova cartografia que tem como foco o social, vem como uma experiência de mapeamento de uma realidade invisibilizada pelas relações de poder. Trata de uma territorialidade que os espaços dominantes não registraram, muitas vezes porque são espaços de conflitos reais ou espaços nos quais o poder econômico tem interesses (em algumas situações ,ainda não declarados). Assim, a cartografia social possibilita localizar os povos e suas comunidades tradicionais no mapa, bem como, a identificação de seus territórios e da história social de povos e comunidades tradicionais, consideradas sem história e portanto, sem lugar nos mapas oficiais.

REFERÊNCIAS
FONSECA.Fernanda Padovesi. OLIVA. Jaime. Os desenhos da Cartografia num Mundo em Transformação. São Paulo:Melhoramentos,2013.
SANTOS.Dorival. Cartografia Social. InterEspaço. Grajaú-MA,v.2.n.6, mai/ago.2016.
SANTOS. Milton. O Espaço do Cidadão.7. ed. São Paulo: EDUSP,2012.

terça-feira, 20 de março de 2018

DIREITOS DO TRABALHO: MATERIAL DE APOIO AO PROFESSOR

Há outros materiais que podem apoiar o trabalho do professor que objetiva discutir as questões trabalhistas em sala de aula, indicamos os links abaixo:

https://www.cut.org.br/acao/campanha-nacional-em-defesa-dos-direitos-dos-trabalhadores-e-das-trabalhadoras-c-4232

https://www.cut.org.br/acao/agenda-legislativa-para-as-relacoes-de-trabalho-d93e


No portal do mec,  há vários cadernos temáticos, indicamos aqui o caderno do proeja, http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf2/proeja_indigena.pdf

Indicamos também o site do lemad, http://lemad.fflch.usp.br/

quarta-feira, 14 de março de 2018

CIDADANIA: DOCUMENTOS

Resultado de imagem para protestos no brasil
Protesto no Brasil http://cultura.culturamix.com/curiosidades/protestos-no-brasil-em-junho-de-2013

a  O que você sente quando vê um grupo de pessoas protestando nas ruas?

b   Você entende que elas estão fazendo uso do direito de cidadania?

c    Quando as pessoas vão as ruas estão lutando por algo que interessa só a elas ou lutam por alguma coisa que é boa para o coletivo?

d    Se todos lutassem não seria mais fácil o governo (municipal, estadual, federal) ouvir?

CIDADANIA


cidadania

A ideia de cidadania surge quando os seres humanos passaram a viver em cidades. Mas só um povo da Antiguidade criou o conceito de cidadão: os gregos. Vivendo em cidades independentes e autônomas (livres para se governar), eles chamavam um pequeno grupo de sua sociedade de cidadãos, aqueles que eram homens livres, proprietários de terra e que haviam nascido naquela cidade. Isso significa que mulheres, escravos e estrangeiros não eram cidadãos. Como está a situação da cidadania das mulheres no Brasil?

Na nossa sociedade brasileira todos são cidadãos? Todos são tratados como cidadãos?
Na Grécia ser cidadão significava ter um poder público não limitado e participar do poder de decisão coletiva nas assembleias. No Brasil, elegemos vereadores, deputados e senadores, para participar e decidir nas assembleias por nós. Os nossos políticos estão trabalhando por nós ou contra nós?

Cidadão é aquele que se identifica culturalmente como parte de um território, exerce os seus direitos e cumpre os deveres estabelecidos em lei. Ou seja, viver a cidadania é ter consciência de seus direitos e obrigações e lutar para que o que é justo e o correto sejam colocados em prática. Será que os políticos corruptos são cidadãos? Uma pessoa que está em uma prisão, tem direitos de cidadão? Uma pessoa que mora na rua tem a sua cidadania reconhecida?

Os direitos e deveres não podem andar separados.  Afinal, quando uma pessoa cumpre com suas obrigações, permite que outros exercitem seus direitos. Ao ter conhecimento de meus direitos posso exercê-los, cobra-los. A constituição diz que todos são iguais perante a lei. A nossa justiça tem tratado a todos com essa igualdade?

A cidadania pode evoluir por meio de um processo de lutas realizado pela sociedade ou pode ser limitada quando nos acomodamos e deixamos de lutar para manter os direitos conquistados e avançar para incluir novos direitos.